Pastoral do Batismo

O sacramento é um encontro com Cristo através de um sinal. Cristo, invisível após sua Ascensão, torna-se visível, não com sua figura humana, mas através de um sinal. Cristo instituiu esses sinais-sacramentos e entregou-os à Igreja, dando a ela o poder de realizá-los. O sacramento é, então, sinal sensível e eficaz, instituído por Jesus Cristo e entregue à Igreja. Não vemos o Cristo em sua figura humana, mas o temos presente através dos sinais-sacramentos. Cristo, invisível, torna-se visível através do sacramento. São gestos que celebram a vida. Não são gestos vazios, abstratos, rituais. É um gesto à espera de uma resposta de fé. Por isso, só terá sentido receber um sacramento, na medida em que Cristo tiver sentido na vida da pessoa.

O Batismo é o sacramento da fé. Cada um dos fiéis só pode crer dentro da fé da Igreja. A fé que se requer para o Batismo não é uma fé perfeita e madura, mas um começo que deve desenvolver-se.

O sacramento do batismo celebra a entrada e a acolhida de um novo membro na Igreja, na comunidade cristã, portanto, é o primeiro sacramento.

O sacramento do Batismo nos faz cristãos, quer dizer: de Cristo. O batismo nos incorpora, nos insere, nos radica na Igreja: faz-nos ser Igreja. O Batismo faz de nós membros vivos da Igreja, comprometidos com a Igreja. Evidentemente que não é só o rito, o sinal do Batismo que nos salva e nos torna santos. Será a vida do batizado. O Batismo deve ser renovado no dia-a-dia de nossa vida. O Batismo dá todo um sentido à nossa vida, nos dá uma direção.

Objetivo

O objetivo que se pretende alcançar pela Pastoral do Batismo é a preparação de pais e padrinhos para o primeiro sacramento da iniciação Cristã e conscientizá-los sobre a verdadeira missão que cada um terá na caminhada para o crescimento e amadurecimento da fé.

Mais do que ensinar a doutrina católica, a pastoral do batismo deve ser uma pastoral acolhedora, pois é uma grande oportunidade de estabelecer contato com os pais, mães e padrinhos que procuram a comunidade.

Desafios

Sabemos que a maioria do povo brasileiro é batizado, porém, a quantidade dos que vivem sua fé na comunidade não corresponde ao número de batizados.

Os motivos pelos quais as crianças são apresentadas para o Batismo nem sempre correspondem aos motivos pelos quais a Igreja batiza. Geralmente são motivos de ordem cultural, antropológica, que manifestam no fundo a abertura a Deus como o Deus da vida. Falta, porém, a dimensão comunitária que é própria do batismo.

Deve-se esforçar para fazer com que toda a comunidade se sinta responsável pela pastoral do batismo e tenha uma atitude responsável e acolhedora para com a nova vida. Para isso, em muitos casos é necessário acompanhar a mãe desde o período da gravidez. Muitos podem contribuir nessa tarefa: os grupos de base, pastoral familiar, grupos de jovens, grupo de mulheres, pastoral da criança, enfim, todos os grupos e pastorais da Igreja.

Razões da Pastoral

A Pastoral do Batismo deve ser entendida numa perspectiva missionária. Quer dizer: deve ajudar os pais e mães a descobrirem a ternura do Deus da vida que ama e protege toda a vida a ponto de ter dado seu Filho para a salvação de todos. O Batismo é sacramento da vida e salvação.

A criança tem o direito à vida e a tudo o que é necessário para a vida, sem necessidade de escolha. É obrigação natural, vital da família, da comunidade humana dar a vida, conservá-la e desenvolvê-la na criança. Porém nada impede que uma pessoa receba esse sacramento em idade adulta, pois nunca é tarde pra alguém abrir o coração e a alma a Cristo e à sua doutrina de amor (nesse caso, procurar o catecumenato para uma preparação mais adequada).

Orientações

  • Promover encontros que despertem e reanimem a fé, não fazendo “cursos” com palestras e temas para ensinar ou aumentar conhecimento teórico, mas promovendo encontros agradáveis, alegres, visando à reflexão, diálogo, oração, etc.
  • Realizar visitas às famílias das crianças para criar laços de amizade e visando interligá-las mais à comunidade cristã.
  • Apresentar a criança e sua família à comunidade, antes da realização do batismo, para que a comunidade acolha e estabeleça um relacionamento mais fraterno.
  • As crianças acima de sete anos, devem ser encaminhadas à catequese da comunidade e os maiores de quinze anos, ao catecumenato.
  • Oferecer espaço para que os pais e padrinhos, depois do batizado, possam ser acolhidos e possam participar das festas e celebrações da comunidade.
  • Participar de encontros de formação permanente, organizada para os que atuam na pastoral, bem como para os ministros do Batismo.
  • Embora toda a comunidade seja responsável pela pastoral, é necessário que haja uma equipe para a preparação mais imediata composta por pessoas disponíveis, com espírito missionário, acolhedoras, com formação atualizada da teologia do batismo e com compreensão da vida da Igreja.
  • Deve-se evitar batizar as crianças no período Quaresmal e priorizar o batismo no tempo Pascal.

Dos Ministros do Batismo

As comunidades devem indicar um membro que seja reconhecido publicamente como Ministro do Batismo. O mesmo deve ser uma pessoa de fé madura, compromissada com a comunidade, consciente de sua missão, acolhedora e que tenha recebido os sacramentos de iniciação.